O sindicato acompanha atentamente todos as noticias de repercussão nacional que tenham influência direta ou indiretamente sobre a vida profissional dos servidores. Neste caso é digno de registro o aumento de 15%  na bancada feminina na Câmara de Deputados, perfazendo um total de 77 deputadas, contra as 51 parlamentares da ultima legislatura (55ª). Foi considerado um crescimento importante, segundo análise do  Departamento de Assessoria Intersindical de Assessoria Parlamentar.

Esse percentual de crescimento vem sendo registrado nas últimas legislaturas e apresenta discreta aceleração. Se em 2014, quando foram eleitas 51 deputadas, o percentual de aumento atingiu 10%, se comparado com a bancada de 45 deputadas eleitas em 2010. Assim a participação de mulheres no Parlamento teve discreto porém sólido crescimento. Contudo, ainda estamos muito abaixo da média na América Latina, em torno de 30%.

No Senado, a representação feminina a partir de 2019, contará com 12 senadoras, número um pouco menor do que a bancada atual (13), composta por 5 senadoras cujos mandatos se encerram em 2023 e outras 8 senadoras que tentaram a reeleição ou disputaram outros cargos no pleito de 2018.

As 77 mulheres que farão parte da 56ª Legislatura representam 24 unidades federativas. Apenas 3 estados não elegeram mulheres: Amazonas, Maranhão e Sergipe. As estreantes são maioria entre as mulheres: 47. As outras 30 deputadas que completam a bancada feminina compõem a atual legislatura e foram reeleitas. Não obtiveram êxito  nas urnas,  14  das atuais deputadas.

 Não Conseguiram se Reeleger: Conceição Sampaio (PSDB-AM), Jozi Araújo (Pode-AP), Tia Eron (PRB-BA), Gorete Pereira (PR-CE), Dâmina Pereira (Pode-MG), Raquel Muniz (PSD-MG), Simone Morgado (MDB-PA), Júlia Marinho (PSC-PA), Cristiane Brasil (PTB-RJ), Marinha Raupp (MDB-RO), Maria Helena (MDB-RR), Keiko Ota (PSB-SP), Ana Perugini (PT-SP) e Josi Nunes (Pros-TO).

Há também os casos daquelas que não renovaram o mandato e, por isso não retornam  em 2019; porque disputaram outros cargos, como por exemplo: Luciana Santos (PCdoB) foi eleita vice-governadora de Pernambuco, Janete Capiberibe (PSB), que concorreu mas não se elegeu senadora pelo Amapá e Jô Moraes (PCdoB) em Minas Gerais

 

Algumas mulheres foram campeãs de voto em seus estados, mas somente quatro delas  atingiram o quociente eleitoral. Em termos de país, somente 27 deputados conseguiram  se eleger com votos próprios. São elas: Joice Hasselmann (PSL-SP), jornalista, que obteve 1.078.666 votos, Gleisi Hoffman (PT-PR), atual senadora e presidente do PT, que conquistou 212.513 votos, Flordelis (PSD-RJ), administradora e cantora gospel, eleita com 196.959 votos, e Marília Arraes (PT-PE), advogada e atual vereadora de Recife, que obteve 193.108 eleitores.

Parentesco
 Repetindo um fenômeno observado em outros pleitos, esta eleição voltou-se a observar  o sufrágio de candidatas que possuem parentesco com políticos tradicionais. No Distrito Federal, por exemplo, a campeã de votos Flávia Arruda (PR) é esposa do ex-governador José Roberto Arruda. Empresária e professora, foi eleita com 121.140 votos. Pelo Espírito Santo, retorna à Câmara Lauriete (PR). Empresária e esposa do senador não reeleito Magno Malta.

O Paraná elegeu a deputada mais jovem: Luisa Canziani (PR). Com apenas 22 anos, a estudante Luisa é filha do deputado Alex Canziani, que não conseguiu ser eleito para o Senado. No Rio de Janeiro, foi eleita Daniela do Waguinho (MDB-RJ), esposa do prefeito de Berlford Roxo. Outra deputada que chegará à Câmara com sobrenome tradicional na política é Jaqueline Cassol (PP). Advogada e empresária, ela é irmã do senador por Rondônia, Ivo Cassol.

 Mandatos Renovados: Clarissa Garotinho (Pros-RJ), filha do ex-governador Anthony Garotinho; Soraya Santos (PR), que é casada com o ex-deputado federal Alexandre Santos; e Rejane Dias (PT), a campeã de votos no Piauí (138.800), que é mulher do governador reeleito Wellington Dias.

     No grupo de 47 deputadas novatas, há mulheres que acumulam experiência política por já terem exercido cargos eletivos no Legislativo ou Executivo, como as atuais senadoras Lídice da Mata (PSB-BA) e Gleisi Hoffman (PT-PR), além da titularidade em secretarias de estado ou município. O Diap, conseguiu identificar –nesta condição- as seguintes parlamentares: Perpetua Almeida (PCdoB-AC), ex-deputada federal; Teresa Nelma (MDB-AL), vereadora; Aline Gurgel (PRB-AP), ex-vereadora e ex-secretária extraordinária de Políticas para Mulheres; Celina Leão (PP-DF), deputada distrital; Lauriete (PR-ES), ex-deputada federal; Aurea Carolina (PSOl-MG), vereadora; Greyce Elias (Avante-MG), ex-vereadora; Rose Modesto (PP-MS), vice-governadora; Edna Henrique (PSDB-PB), ex-prefeita; Marília Arraes (PT-PE), vereadora; Margarete Coelho (PSB-PI), vice-governadora e ex-deputada estadual; Talíria Petrone (PSol-RJ), vereadora, Natalia Bonavides (PT-RN), vereadora; Liziane Bayer (PSB-RS), deputada estadual; Fernanda Melchionna (PSol-RS), vereadora; Silvia Cristina (PDT-RO), vereadora; Angela Amin (PP-SC), ex-deputada federal, ex-vereadora e ex-prefeita; e Sâmia Bomfim (PSol-SP), vereadora.

Segundo os dados do levantamento feio pelo Diap, cerca de 100% das estreantes na vida pública e na política, são quadros do PSL. Isto significa que das nove  deputadas integrantes do PSL – hoje o  2º maior partido com representação na Câmara Federal- nunca exerceram cargos eletivos.  Merecendo o devido destaque: a primeira deputada indígena eleita: Joênia Batista de Carvalho (Rede-RR), conhecida como Joênia Wapichana. Pioneira no que tange a etnia a qual pertence,  Joênia também  foi a primeira mulher indígena a se formar em Direito, pela Universidade Federal de Roraima, em 1997.

Em entrevista para a Agência Câmara, a deputada eleita afirmou que o perfil mais conservador do Parlamento será “mais um desafio a ser enfrentado”. Para Joênia, existem várias proposições anti-indígenas na Casa e que serão combatidas por ela e por todo movimento indígena do País. “Usando dos meios legais, para que nenhum abuso e inconstitucionalidade possam ser aprovados”, completou.

 Reveladores
 Os estados de Rio de Janeiro e São Paulo tem as maiores bancadas e com maior numero de integrantes femininas, sendo 11 e 10 deputadas, respectivamente. No entanto, em escalas proporcionais, as unidades federativas com maior representação feminina foram:  o Distrito Federal, que elegeu 5 (62,5%) deputadas em um total de 8 vagas, e o Acre, com 4 (50%) deputadas em um total de 8 vagas. Os índices desses 2 estados são bem superiores à representação feminina de apenas 15% em toda a Câmara Federal.

A distribuição das candidatas eleitas, segundo as regras da proporcionalidade; a partir de 2019: PT (10); PSL (9); PSDB (7); PR (6); MDB, PSol e PP com 5 deputadas cada; PCdoB (4); DEM, PDT, PSB e PRB, com (03) deputadas cada; Avante e PPS, com (02) deputadas cada, e os partidos NOVO, PODE, Pros, PRP, PSD, PTB, PTC, PV, REDE e Solidariedade, com (01) uma representante cada.

No Senado a situação é diferente. Haverá redução numérica na presença feminina, se comparado com a bancada eleita em 2014 (13), quanto em comparação com a bancada atual (13). Isto porque em 2018 foram eleitas apenas (07) novas senadoras. Se somadas as (05) parlamentares cujos mandatos se encerram em 2023, totalizam bancada de 12 senadoras, a partir de 2019.

As (07) novas senadoras são: Leila do Vôlei (PSB-DF); Eliziane Gama (PPS-MA), atual deputada federal; Soraya Thronicke (PSL-MS), advogada e empresária, estreando na política; Juíza Selma Arruda (PSL-MT), aposentada, também estreante; Daniella Ribeiro (PP-PB), ex-prefeita de Campina Grande e atual deputada estadual; e as deputadas federais, Drª Zenaide Maia (PHS-RN) e Mara Gabrilli (PSDB-SP).

Encerram a lista: Rose de Freitas (PODE-ES), Simone Tebet (MDB-MS), Maria do Carmo (DEM-SE), Kátia Abreu (PDT-TO) e Fátima Bezerra (PT-RN). Entre as senadoras cujos mandatos terminam ano que vem, três não foram reeleitas: Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Lúcia Vânia (PSB-GO) e Ângela Portela (PDT-RR). Estrategicamente, as senadoras Lídice da Mata (PSB-BA) e Gleisi Hoffman (PT-PR) migraram suas candidaturas para a Câmara Federal e foram eleitas. A senadora Regina Sousa (PT-PI) acaba de ser eleita vice-governadora do Piauí. A senadora Ana Amélia (PP-RS) foi derrotada na eleição para vice-presidente na chapa de Geraldo Alckmin. Já a senadora Marta Suplicy (MDB-SP) desistiu da vida pública e não foi candidata a qualquer cargo nesta eleição.

 

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